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sábado, 12 de dezembro de 2015

"O dia que o M1TO virou LENDA"

Última foto de Rogério com a camisa do São Paulo no Morumbi

Chegou (e se passou) o dia, o dia mais triste para os São Paulinos, que a partir dele não veremos mais o M1TO com a camisa 01 do São Paulo. Rogério Ceni deixou os campos ontem em um jogo festivo dos campeões mundiais de 1992, 1993 e 2005, enfrentou Zetti, titular do time quando o ainda "goleiro vindo do Mato-Grosso" sem experiência, Rogério chegou no São Paulo.

Ontem foi daqueles dias que parece que passaram filmes e mais filmes na cabeça dos São Paulinos, todas as conquistas, jogos especiais, jogos festivos, o centésimo gol, esse acho que um dos mais importantes da carreira do M1TO, como ele mesmo disse em um programa, por todo o cenário que existia nesse jogo. Quem vai se esquecer desse gol? M1TO disse que era pra Carlinhos Paraíba, hoje no Japão, bater a falta... mas estava no destino, era pra ser e foi escrito na história, Rogério Ceni bateria a falta e colocaria ele e também o time adversário na história. Não só isso, a Arena Barueri que foi palco do feito e Fernandinho que sofreu a falta também.

Antes disso, em 2005 um dos melhores anos do São Paulo e de Rogério Ceni, pôde sustentar tais marcas como título paulista, título da Libertadores da América e Mundial. Rogério não foi só dono de São Paulo, América e do Mundo em 2005, também foi dono da artilharia do São Paulo na temporada. Quem chegaria a pensar um dia que um goleiro seria artilheiro do time em um ano, ainda mais em um ano de títulos importantes? Agradeça, são paulino, você poderá falar para seus filhos e netos que viu um goleiro conquistar o Paulistão, a América e o Mundo sendo artilheiro em um mesmo ano, e se já não bastasse essa marca, ainda podemos acrescentar que nesse mesmo ano, Rogério foi campeão jogando em campo com o melhor jogador de futebol de salão, sim, salão! Falcão, a lenda das quadras também jogava no São Paulo e foi campeão paulista com o time em 2005. Inclusive o título que eu mais comemorei, chorei e fiquei sem voz até hoje. Sobre a defesa na falta cobrada por Gerrard nem preciso falar, a imagem já diz tudo.

São Paulino, chore sim, mas chore de alegria por poder ter visto a história do seu time e boa parte da história do futebol em campo e ao vivo, poucos terão essa história pra contar.

O que aconteceu no Morumbi ontem foi inexplicável, tanto pra torcida, quanto pra ex-jogadores, jogadores em atividade como Ed Carlos, Lugano... para os mais novos, foi a chance de relembrar aquele time vencedor de 2005, com Fabão e Lugano na zaga, por sinal, que zaga! Amoroso, o "rei do MorumTRI", o carismático e caricato Aloísio "Danone" e tantos outros. Já pros "mais velho", foi a chance de rever Toninho Cerezo, Raí, Juninho Paulista, Cafú, que ainda tem futebol pra mostrar nos seus 45 anos.

Vi gols de falta, de pênalti, vi perder pênalti, vi a bola bater na barreira, chorei, ri, critiquei... Ontem o dia foi só dele. Pessoalmente vou levar na lembrança alguns jogos que tive a oportunidade de ver no Morumbi, o primeiro foi São Paulo x Caracas da Venezuela no Morumbi em 2006, São Paulo na oportunidade venceu por 2 a 0, gols de Danilo e do maior goleiro de todos, de pênalti. Vou levar também a primeira vez que estive no CT, Rogério ainda tem tratamento de fisioterapia e mesmo assim me atendeu com toda humildade possível, se preocupando e até depois indo comigo até a portaria. Estive até em festa de comemoração de seus 20 anos no clube, com ele presente, claro.

Claramente ontem o momento de mais emoção pro torcedor e pra todos presentes no Morumbi foi quando Rogério deu a declaração no meio-campo após o fim do jogo que: “No dia que eu morrer, quero que meu corpo seja cremado e que as cinzas sejam jogadas de cima da arquibancada, para que eu lembre para sempre de tudo que vivi aqui. Esse desejo é um desejo meu. Eu estava dormindo essa noite e eu acho que seria bacana, pela identificação, pelo carinho, por onde eu vivi 60% da minha vida e eu não gostaria de ser esquecido em um lugar qualquer. Eu me sentiria bem feliz, aqui deixei minha vida como atleta. Nunca manifestei esse desejo a ninguém. Aqui eu estaria mais perto de tudo que eu amei em toda a minha vida”, será que veremos algum dia outro jogador com esse desejo, essas palavras ou até vestindo a mesma camisa de um time em toda sua vida como profissional?

Ontem o palco de grandes conquistas, alegrias, tristezas, risos, choros e títulos se apagou e se fechou pro M1TO, e se acendeu e abriu pra lenda. Muito obrigado, Rogério. Obrigado por tudo, por todas defesas, gols, títulos e comemorações. Você fará (muita) falta!

"Todos tem goleiros, só nós tivemos Rogério Ceni!"

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